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Cell Block na rotina laboratorial: vantagens, limitações e aplicações práticas

O que é a técnica de Cell Block?

Você já imaginou transformar uma amostra líquida aparentemente simples em um bloco rico em informações diagnósticas?

Essa é a proposta da técnica de Cell Block, um recurso que vem ganhando cada vez mais espaço nos laboratórios de citopatologia por sua capacidade de extrair o máximo potencial de materiais celulares dispersos.

Em um cenário onde cada célula pode conter pistas valiosas sobre doenças complexas, o Cell Block se destaca por sua precisão e versatilidade. Mas como exatamente essa técnica funciona? Quais benefícios ela oferece em relação aos métodos citológicos convencionais? E por que ela é considerada um elo entre a citologia e a histopatologia?

Continue lendo e descubra como o Cell Block pode elevar a qualidade dos seus diagnósticos citopatológicos.

A técnica de Cell Block (bloco de células) concentra células de fluidos corpóreos ou aspirados citológicos, incorporando-as numa matriz (coágulo, gel ou plasma-trombina) e processando-as como tecido convencional em parafina. Isso permite cortes histológicos finos, colorações especiais e imuno-histoquímica, como em biópsias teciduais.

Quando realizar o Cell Block?

  • Em amostras citológicas com baixo rendimento celular em esfregaço.
  • Para exame morfológico detalhado (arquitetura).
  • Ao solicitar imuno-histoquímica ou hibridização in situ (FISH, CISH).
  • Avaliação de neoplasias de origem incerta em fluidos ou aspirados.

Vantagens:

  • Melhora da arquitetura celular e agrupamentos, comparável à histologia..
  • Possibilita colorações especiais e painéis imuno-histoquímicos para confirmação diagnóstica.
  • Facilita arquivamento e retrabalhos.
  • Maior aproveitamento de células em casos escassos ou materiais com baixa celularidade.
  • Aumenta sensibilidade diagnóstica em amostras paucicelulares.

Desvantagens:

  • Processo mais demorado que esfregaço simples.
  • Requer insumos e equipamentos de histotécnica.
  • Risco de perda celular na manipulação.
  • Pode gerar artefatos (bolhas, fragmentação).

Insumos necessários:

  • Formol tamponado a 10%. https://aptabiotech.com.br/fixadores/
  • Tubos ou frascos para coleta.
  • Centrífuga e tubos compatíveis.
  • Gel de agarose ou plasma + trombina.
  • Cassetes histológicos. https://aptabiotech.com.br/consumiveis/cassetes-histologicos/
  • Etanol (70–100%), xilol. https://aptabiotech.com.br/consumiveis/alcool-xilol-e-formol/
  • Parafina de inclusão. https://aptabiotech.com.br/consumiveis/parafina-histologica/
  • Micrótomo e lâminas. https://aptabiotech.com.br/produto/apta-slide-pro-lamina-carga-positiva-25x75mm-cx-50/
  • Reagentes de coloração (H&E; anticorpos para IHQ).

Protocolo sugerido

1. Coleta e fixação

2. Recolher o material citológico (líquido pleural, ascítico, urina, aspirado).

3. Adicionar formol tamponado a 10% ou manter refrigerado até o processamento.

4. Concentração celular

5. Centrifugar a 1.200–1.500 × g por 5–10 min.

6. Descartar o sobrenadante, deixando 0,5–1 mL com o sedimento.

7. Formação do coágulo. 

8. Misturar o sedimento com gel de agarose (ou plasma + trombina).

9. Aguardar solidificação em tubo ou pequeno molde.

10. Inclusão em cassete.

11. Transferir o coágulo sólido para cassete histológico.

12. Processamento tecidual.

13. Desidratar em séries de etanol (70%, 80%, 95%, 100%).

14. Clarear em xilol ou substituto.

15. Impregnar com parafina a 60 °C.

16. Corte e Coloração:

17. Cortes de 3–5 µm em micrótomo.

18. Coloração por hematoxilina-eosina ou imuno-histoquímica.

Curiosidade

Embora o agarose na citopatologia seja usado desde a década de 1950, apenas nos anos 1980 a técnica de Cell Block ganhou popularidade para diagnóstico de carcinomas em líquidos pleurais — transformando o uso de imuno-histoquímica em amostras citológicas.

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